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Monges
"A sua principal devoção consiste em não fazer nada. 
(...) Os mais ridículos (...) são os que se horrorizam ao verem dinheiro 
(...) mas não dispensam o vinho nem as mulheres."
"Erasmo de Rotterdam, em Elogio da Loucura" 

Um pequeno resumo da visão ateísta da História da Religião

No princípio foi o verbo. Verbo que nada! Era um monte de futuros seres humanos vagando pelo mundo, sem eira nem beira, buscando única e simplesmente a sobrevivência, pela qual tinham que lutar muito. Porém eram livres, não existia democracia, governo, Estado, padres, pastores, políticos, reis, imperadores e presidentes, era a lei do mais forte. O ser humano em perfeita consonância com a natureza e dela sobrevivendo. E toda essa relação com o meio em que vivia, iniciou-se o processo do surgimento da consciência. Era o reflexo das coisa no pensamento humano, o ser humano através do trabalho, alterando a natureza e gerando, conseqüentemente, cultura.

Porém, tinham muitos medos, insegurança. Precisavam de alguma coisa que se apegassem, para afastar os raios, trazer o fogo e a água, o alimento - isto quando não comiam uns aos outros - literalmente.

 O canibalismo era de uma certa maneira natural: é melhor comer o próximo, do que ser comido por um animal na tentativa de caçá-lo.

Aí começa a visão do divino, a criação de várias divindades para protegê-los, ampará-los dos infortúnios da natureza. Obviamente, que tal idéia surgiu dos mais fracos fisicamente, àqueles que normalmente serviam de alimento, haja vista que para os mais fortes as dificuldades deveriam ser menores, pois quando queriam alimentar-se e não houvesse o que comer na natureza - cassavam o vizinho.

Bem, no momento que escrevi o parágrafo acima, caí na real. Os dias de hoje estão parecidos com os daquela remota época, também somos cassados pelos mais fortes economicamente, virando com isso caça para os desesperados, que estão em busca de alimento. Haja violência e Democracia Burguesa

Voltando ao nosso resumo... Quando chegamos ao mundo grego, que chamam de berço da filosofia ocidental, encontramos divindades diferentes: o semi-Deus. Aqui servem de base os famosos livros dito de Homero, A Ilíada e A Odisséia. 

O Monte Olimpo está em festa, é Deus para todo lado, tem até um com asas no calcanhar que chamam de Aquiles, Zeus, Atlas, Morfeu e tome deuses...

Ainda na Grécia um matemático chamado Pitágoras resolveu criar a alma, para complicar ainda mais a vida dos filósofos gregos, que não sabiam para onde ia a alma após a morte do indivíduo. 

Enquanto Epicuro, nadava na fonte do Jardim em busca do prazer, Platão estava perdido dentro da caverna e Aristóteles peripatetiando (peripatética), os romanos preparavam-se para dar o bote. Afinal o Imperador da recém fundada Roma era filho dos deuses, nada mais justo que tentar tomar o mundo em suas mãos e a Grécia de assalto. Porém, embora fosse o conquistador, assumiu a cultura grega, principalmente o Deus Baco. Haja bacanal!

Depois que Nero botou fogo em Roma, que patrícios e plebeus não paravam de matar-se, a igreja, após a liberdade de culto determinada pelo então Imperador Constantino, resolveu assumir o papel de primeiro Estado, depois de longo período de perseguição e aprendizagem, estava apta a usar a sua tática de aproximação com as elites romanas e firmarem-se no cenário mundial conhecido até então, criando com a decadência do império romano a supremacia do poder papal.

O poder papal não perde tempo, assim que os chamados povos bárbaros invadem o império romano, que de uma certa maneira durante a formação dos reinos bárbaros, encontravam-se desagregados, são então seus chefes cooptados para conversão ao cristianismo, a igreja assumi o papel de aglutinar o seu poder - inclusive como uma grande latifundiária que é - Entre o Estado e a igreja. 

Daí para frente, durante quase mil anos, é um período da cor do fundo desta página, o período chamado obscurantismo ou Idade das Trevas. Era o reino dos padres da igreja, da escolástica e dos mosteiros, pendendo entre idéias de Platão e Aristóteles, na adaptação dos livros bíblicos pelos monges copistas, cheios de riqueza  e opulência, como bem definiu Erasmo de Rotterdam no seu livro Elogio da Loucura. Porém fora dos muros dos mosteiro e castelos, reinava a miséria, os senhores feudais oprimiam ao limite os pobres servos, embora não fosse escravidão - era a servidão.

Mas a realidade renasce das cinzas, é o Renascimento: da Reforma Protestante, da contra-Reforma e do Humanismo. Do Grande Cisma da igreja (elegeram dois papas para uma Roma), surge então a oposição ao poder papal e a Roma. Um tal de Martinho Lutero com as suas noventa e cinco teses, que apoiado pelos príncipes alemães, esculacha a escolástica de vez, transcreve a bíblia do latim para o alemão e rompe com a igreja católica. De outro lado apoiado pela grande burguesia estava Calvino, acabando com todos os feriados santos, aumentando, conseqüentemente a carga de horário de trabalho, favorecendo, obviamente, aos capitalistas emergentes. Por outro lado Erasmo, o da contra-Reforma, descarrega toda a sua ira no livro Elogio da Loucura, tentando resgatar o poder perdido pelos católicos.  

Mas, como não há coisa ruim que dure para sempre, surge uma luz no fim do túnel, Aufkläung: o iluminismo, a ilustração, o fim do obscurantismo da Idade das Trevas.

Agora o "couro vai comer": Vão botar os cachorros nos calcanhares dos jesuítas.

Gravura Alemã

que demonstra a visão dos Reformadores à época da Idade das Trevas.

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A partir daí, há um momento em que os jesuítas são escorraçados pelos ideais liberais dos capitalistas em ascensão. É o mercantilismo da Idade Moderna, a busca pelas especiarias da Índia, o período das grandes navegações proporcionada pela invenção da bússola e invasão de novas terras recém "descobertas", ou seja, eram terras ainda desconhecidas pela nobreza Européia e que foram saqueadas e exploradas, pelos ditos descobridores, em suma - tomaram de assalto. E isso tudo com o apoio dos jesuítas da mal dita Companhia de Jesus.

O clero ao lado do rei e da nobreza parasitária, dormia, bebia, comia, ..., fartavam-se de luxúrias. Porém nos seus calcanhares estava a emergente burguesia - aquela que veio dos burgos localizada em torno dos castelos - que agora tinham o canhão, peça importantíssima para a derrubada das muralhas dos castelo. Com certeza acabaram com o sossego dos gulosos dorminhocos.

E daí para frente foi revolução para todo o lado, comercial, industrial, francesa, eram os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, que tomavam conta da burguesia capitalista emergente. Derrubaram o rei e tomaram o poder do clero, colocando-os no seu devido lugar.

Bem, já que a coisa estava pegando fogo na Europa a igreja tratou de espalhar-se pela Américas do sul, centro e do norte, catequizando a "rodo". Enriquecendo ainda mais, apoiando os exploradores da nova terra, e segregando os  que eles denominaram indígenas.

No Brasil o tal Marques de Pombal, partiu, como na Europa para soltar os cachorros nos jesuítas, infelizmente, foi por pouco tempo.  Que pena!

Logo a igreja organizou-se junto aos donos do capital, como fez com os reinos bárbaros, porém dessa feita, não conseguiu restabelecer o poder político nos Estados Nacionais com a supremacia papal, ficando numa posição de segundo, terceiro ou nenhum plano no cenário mundial.

Ainda não terminei, aguarde. Se você teve saco para chegar até aqui, parabéns.

Este Site foi criado por Jorge Silveira  e-mail: jorsangela@ig.com.br