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"A Religião (...) É o Ópio do Povo."

(Karl Marx)

 

 

 

 

Karl Marx, Friedrich Engels e operários de fábrica
W.A. van de Walle, 1930. ca. 55 x 111 cm.

Todo Ateu é Marxista?! Todo Marxista é Ateu!?

    Não pensem que estou fazendo aqui um ensaio sobre o Marxismo e o Ateísmo. Para isso vou colocar no final dessa matéria vários links sobre o assunto, onde os visitantes que desejarem saber mais poderão acessar com facilidade. Essa matéria pretende, sim, dar aos nossos visitantes uma pequena contribuição no entendimento e significado da expressão "Todo Ateu é Marxista ? Todo Marxista é Ateu ?", pois em virtude de frases como "Sou ateu, graças a deus", ditas por alguém que se diz marxista, levam a uma total desinformação de significado. Podemos, porém afirmar, sem medo de errar, que nem todo Ateu é marxista. Porque não é uma premissa do ateísmo, que para alguém ser Ateu tem que ser também marxista.

O  termo dicionarizável para ateísmo: "Atitude ou doutrina do Ateu, que nega a existência de qualquer divindade (deus ou deuses)" ou ainda, segundo o autor do texto Os Fundamentos do Ateísmo André Díspore Cancian "(...) a posição ateísta, em si mesma, não é positiva, não possui qualquer conteúdo, pois não representa algo, mas apenas a ausência de algo; em suas categorias mais elaboradas, o ateísmo é uma ausência vinculada a uma rejeição ou a uma negação de algo largamente aceito, que, no caso, é o teísmo - cujo conteúdo é produzido pelo homem, na citação de K. Marx "o homem faz a religião, a religião não faz o homem (...)". (Grifo nosso) - em suas variadas formas".
(Texto extraído do site http://ateus.net/index.php

 Porém ao contrário, também não erramos quando afirmamos - todo aquele que segue o marxismo é Ateu, ou não é marxista. O ateísmo está intrínseco à filosofia marxista. Vejamos o que escreveram, os fundadores do Materialismo Histórico e do Materialismo Dialético, K. Marx e F. Engels sobre o assunto:

 F. Engels                  K. Marx

"O fundamento da crítica religiosa é o seguinte: o homem faz a religião, a religião não faz o homem (...). O homem é o mundo do homem, o Estado, a sociedade. (...) Portanto, a luta contra a religião é indiretamente a luta contra aquele mundo cujo aroma espiritual é a religião. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o sentimento de um mundo perverso, e a alma das circunstâncias desalmadas. É o ópio do povo". 

(K. Marx critica, em Sobre a Questão Judaica)

Já que todas as religiões tem por base uma divindade que, segundo os seus representantes,  geram mandamentos, regras de conduta: morais, éticas, os legados da vida justa.

Ao escrever "O homem faz a religião, a religião não faz o homem (...)", Marx deixa claro que toda a moralidade é determinada social e historicamente, tendo como fator determinante a produção e a reprodução da vida real. O que podemos observar também nos dois textos abaixo, Além da crítica de Engels aos idealistas, como Hegel, e aos materialistas, como Feuerbach, e outros, que viam a natureza como elemento primordial.

 "Na produção social da sua existência, os homens estabelecem determinadas relações, necessárias, independentes, da sua vontade, relações de produção que correspondem a um grau determinado de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais. O conjunto dessas relações de produção constitui a estrutura econômica da sociedade, a base concreta sobre a qual se eleva uma superestrutura jurídica e política à qual correspondem formas determinadas de consciência social. O modo de produção da vida material condiciona o processo de vida social, política e intelectual em geral."

(Marx, Prefácio à Contribuição à critica da economia política)

" A questão da relação do pensamento ao ser, do espírito à natureza, questão suprema de toda filosofia, tem, como toda religião, suas raízes nas concepções limitadas e ignorantes do período de selvageria (Segundo a concepção materialista da história, o fator que, em última instância, determina a história é a produção e a reprodução da vida real).

     Segundo a resposta que dessem a esta pergunta, os filósofos dividiam-se em dois grandes campos. Os que afirmavam o caráter primordial do espírito em relação à natureza e admitiam, portanto, em última instância, uma criação do mundo de uma ou de outra forma (e para muitos filósofos, como para Hegel, por exemplo, a gênese é bastante complicada e inverossímil que na religião cristã), firmavam o campo do idealismo. Os outros, que viam a natureza como elemento primordial, pertencem às diferentes escolas do materialismo." (Engels, Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã, Cap. II)

 

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